Projeto Cinema, Floresta e Itinerâncias

ALDEIA DAS ARTES
É uma máquina de fazer sonhos
22 de abril de 2016

O projeto Cinema, Floresta e Itinerâncias, (Cinema Ambulante na Amazônia)  foi criado pelos cineastas Celso Luccas e Brasília Mascarenhas com o objetivo de exibirem o documentário Mamazônia, por eles realizado, nos lugares onde o mesmo foi filmado.
Sessão de cinema nos seringais, aldeias indígenas, escolas, universidades, igrejas, praças públicas e centros comunitários. Muita gente se viu na tela e comentou. Debateu, riu e chorou. Cinema viajante. Ágil. Presente na fala e no olhar do homem amazônico.

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Mamazônia

Para Celso e Brasília

Para fazer cinema o poeta anda com o olho na mão;
Quando vê uma estrada sugestiva, ele pára e pisca;
Depois, deixa a cena enrolada num compartimento da cabeça.
O tempo passa e a estrada se esburaca,
Carro vai e vem, gente que passava até já morreu.
Um dia o poeta retorna pela fita e repõe a estrada novinha no lugar.
Filmar como quem perambula
É a melhor maneira de fazer cinema autoral,
Como escrever poesia é vadiar olhando
Os rebentos do capim e do mato ordinário,
Porque ninguém presta atenção e pisa em cima.
Mas um dia alguém é capaz de ver que o mato
Fala com sua insignificância suntuosa.
Enquadrar um inseto, uma folha ou uma velha avoada,
Num exercício lúdico,
É cantar numa linguagem que dispensa
Palavras e malabarismo cromático,
Sobretudo se de um sol queimado dentro d'água,
Pode-se cunhar um verso sem qualquer signo a ser exposto.
A Amazônia na horizontal, o lago onde nasce um sol,
O vagão com que a ferrugem esculpe um vão,
A cabocla que se expande para receber um rio
E aquele pássaro cujo olho jogou a lua para o alto,
São efeitos de cinema pra gente, igual criança,
Reproduzir no caderninho.

Emanoel Virgino - Poeta e Jornalista ( Porto Velho)

 

 

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